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maior lixão da América latina

Por Beatriz Brito

Olá querido leitor,

Você já parou para pensar sobre o que aconteceu com os catadores do antigo Lixão da Estrutural depois de seu fechamento e como eles estão sobrevivendo, já que a maior parte da sua renda vinha da catação dos resíduos do Lixão da Estrutural?


Bom, devemos concordar que o fechamento do lixão foi necessário, pois não era o local mais adequado para o despejo de milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, levando em consideração que ele recebia o lixo produzido por todo o Distrito Federal. Assim, por ser um aterro não controlado os materiais são depositados sem qualquer medida que vise a proteção do meio ambiente ou o respeito à saúde pública. Sendo assim, o mais viável é acondicionar os resíduos sólidos em um aterro sanitário onde pode-se impedir a proliferação de vetores de doenças, reduzir o mau cheiro e ainda possibilitar a produção de energia a partir da queima do biogás.


Vamos então, junto com a Flua, analisar o impacto social e econômico na vida dos catadores ao longo do funcionamento do lixão da Estrutural e logo após seu fechamento. Nessa leitura buscaremos entender a importância socioeconômica dos resíduos sólidos na vida dos catadores e mostrar o valor desses profissionais para a sociedade, assim como a negligência governamental para com os mesmos.


Para começar, vamos conhecer um pouco sobre o antigo Lixão da Estrutural. Ele está localizado ao lado do Parque Nacional de Brasília e é cercado pela Cidade Estrutural, no Distrito Federal. Estava em funcionamento há quase 60 anos, tem uma área equivalente a 280 campos de futebol (inacreditável não é mesmo?) e era considerado o segundo maior depósito a céu aberto do mundo. Repercutido como o maior lixão da América Latina, o Lixão da Estrutural foi tido como um dos maiores problemas enfrentados pelo Distrito Federal, devido a desumana condição de vida e de trabalho das pessoas que sobreviviam a partir do despejo de lixo.





Os catadores, por trabalharem neste ambiente insalubre, eram os mais afetados por ficarem expostos a alta probabilidade de adquirirem doenças que os afetam ao longo da vida, como problemas de visão, na coluna e doenças cardiovasculares. E qual o perfil desses trabalhadores? Foi estimado que a maioria das pessoas que trabalhavam como catadores no antigo Lixão da Estrutural tinham a média de idade de 38 anos, eram de cor parda e negra, tinham baixo grau de escolaridade e poucos recebiam bolsa família, possuindo uma renda familiar menor que 1 salário mínimo.



O processo de fechamento do lixão da Estrutural veio com a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) de 2010 que previa a erradicação dos lixões, visto que esses oferecem riscos tanto para os trabalhadores do setor quanto para a população dos arredores. O fechamento do lixão da Estrutural ocorreu em 2018 atendendo à PNRS e à determinação do Tribunal da Justiça do Distrito Federal desde 2007, motivada por ação do Ministério Público. O lixão virou um aterro controlado em que somente recebe entulhos até a implementação de espaços para acomodá-las, segundo o GDF.


Dessa forma, a vida de mais de dois mil catadores que dependiam da catação no antigo lixão da Estrutural iniciou-se incerta após seu fechamento. A proposta do governo era alugar cinco galpões de triagem para receber 1,2 mil catadores pertencentes a cooperativas. O problema iniciou-se pela falta de maquinário e de material insuficiente para que os trabalhadores conseguissem renda. Por esse motivo, muitos voltaram para as ruas atrás de lixo sofrendo com o preconceito da população a sua forma de trabalho e, assim, o rendimento diminuiu drasticamente comparado a renda que conseguiam no lixão, ou seja, nenhuma solução efetiva foi dada para o governo para a situação dessas pessoas, as deixando simplesmente a própria sorte.



Os catadores de material reciclável podem ser considerados os grandes protagonistas da indústria de reciclagem no país, pois antes mesmo de estabelecerem políticas públicas para a gestão de resíduos no país, como o PNRS por exemplo, eles já estavam realizando um trabalho de grande importância ambiental, contribuindo significativamente para o retorno de materiais para o ciclo produtivo, gerando economia de energia e de matéria-prima e evitando que diversos materiais fossem destinados para o aterro. Por isso, é de grande importância o trabalho cooperativo da população para a melhor gestão de resíduos sólidos andando em conjunto com a melhoria de trabalho dos catadores, seja ele independente ou contratado de uma cooperativa.




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