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Poluentes Emergentes na Água

Por Giovanna Gerin


Ao longo da história e da evolução humana, aos poucos fomos percebendo os tipos de substâncias que poderiam ser prejudiciais para a nossa saúde, que tinham potencial de causar danos ao nosso organismo e de ocasionar doenças. 


O interessante é que, até descobrirmos isso, essas substâncias estavam ou presentes nos nossos alimentos ou compondo objetos que usávamos diariamente ou, até mesmo, na água que bebíamos. Já parou para pensar nisso?

Recentemente, a comunidade científica passou a perceber classes de poluentes que merecem nossa atenção: os poluentes emergentes. Emergentes não porque surgiram agora, considerando que, na verdade, estão presentes no nosso cotidiano há anos, mas porque só agora tivemos evidência científica de que essas são substâncias potencialmente tóxicas, especialmente no que diz respeito à perturbação endócrina. 

Então você pode nos perguntar: mas por que só agora?

Acontece que esses poluentes emergentes estão presentes na água em concentrações muito pequenas, da ordem de nanogramas por litro, e até pouco tempo atrás não tínhamos tecnologia suficiente para detectar sua presença nos corpos hídricos e na água que bebemos. Sim, ingerimos todos os dias água que contém, ou pode conter, esses poluentes; temos, todos os dias, contato direto com os mesmos. 



Para que fique mais nítido, algumas classes desses poluentes emergentes são pesticidas, esteroides naturais e artificiais, fármacos e produtos químicos industriais. É fácil perceber que eles desempenham presença marcante no nosso dia-a-dia…

Quando utilizamos esses produtos no nosso cotidiano, seja para a agricultura, para tratamentos médicos ou para processos produtivos, os mesmos são carreados para os corpos hídricos superficiais através da chuva, do lançamento de efluentes ou das outras formas de poluição difusa, o que colabora para aumentar sua presença na água. Além disso, estudos detectaram a presença desses compostos até mesmo em águas subterrâneas!



Hoje, as tecnologias de tratamento de esgoto e de água empregadas no Brasil não são capazes de remover com eficiência essas substâncias, e enquanto isso, estamos expostos continuamente, dia após dia. Pesquisas são conduzidas para verificar seus efeitos em anfíbios, peixes, aves e em nós, humanos, e a maioria dos estudos aponta para perturbações nos sistemas endócrinos dos organismos citados, como diferenciação sexual, e femininalização de peixes. 

Imagine o seguinte: o nosso organismo funciona no esquema chave-fechadura, ou seja, nossos hormônios funcionam como chaves que têm o encaixe perfeito para as nossas células, que funcionam como fechaduras. Os poluentes emergentes funcionam como perturbadores endócrinos, às vezes imitando as chaves - mimetizador hormonal - e às vezes bloqueando a fechadura - bloqueador hormonal.




Apesar de parecer um cenário crítico, do qual a maioria das pessoas não está ciente, nem tudo está perdido! Tecnologias promissoras para sua remoção existem e estão sendo estudadas, como remoção por carvão ativado, processos oxidativos avançados e processos de separação por membranas, como a nanofiltração. Além disso, as autoridades sanitaristas já buscam a inclusão dessas substâncias nas legislações referentes às concentrações máximas permitidas na água.

Resta a esperança de que, quando a maior parte da população tomar consciência disso, já tenhamos os meios necessários para cessar, ou pelo menos reduzir, o nosso contato com os poluentes emergentes! E fica sempre a certeza: não importa quão avançada a espécie humana esteja, nunca estaremos plenamente seguros do contato com substâncias potencialmente tóxicas.



Obrigada pela companhia e até a próxima!


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